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10 Set 2018 | 10:07:02

Geração 2015: na virada da idade, brilham os reprodutores nacionais

Provas graduadas disputadas por produtos da geração 2015 (com recém 3 anos completos), no eixo Rio-São Paulo, colocaram em evidência garanhões nacionais.

Halston e Repeat Winner: 2 dos 6 machos produzidos por Setembro Chove, na geração 2015, formaram ponta e dupla no GP Ipiranga.

Imagem: Marília Lemos

Na última semana, provas de grupo foram disputadas entre Cidade Jardim e Gávea, por produtos da geração 2015. Enquanto na capital paulista as tríplices coroas ganharam novos capítulos, em solo carioca os potros de 3 anos apertaram o passo rumo ao Grande Criterium. Como ponto de convergência entre os diferentes resultados apontados em cada uma das provas, a figura do garanhão nacional.

Halston formou com Repeat Winner dobrada improvável do reprodutor Setembro Chove no Grande Prêmio Ipiranga (gr.I). Improvável não em razão, obviamente, das virtudes de Setembro Chove. Mas sim pelos números que cercam a produção do filho de Fast Gold na geração 2015.

Há, entre os animais nascidos, no Brasil, em 2015, 13 filhos de Setembro Chove. Destes, 6 são machos – que, portanto, teriam direito a competir no páreo que abriu a tríplice coroa de potros. Dos 6 machos, apenas 3 estrearam, dos quais 2 formaram ponta e dupla num dos embates mais importantes reservados à geração. O outro já corrido, aliás, atende pelo nome de Miracle Mile, conta com vitória na estreia e segunda colocação em prova especial – sendo aguardada, sua presença, no GP Jockey Club de São Paulo (gr.I), em outubro.

O resultado também acena para o necessário – e neste caso, muito bem recompensado – exercício de se prestigiar não apenas os garanhões nacionais “de casa”. Alojado no Stud Chesapeake (Tijucas do Sul/PR), Setembro Chove recebeu oportunidades dos Haras Cifra e Interlagos, aos quais rendeu, respectivamente, Halston e Repeat Winner.

Já no Grande Prêmio Henrique de Toledo Lara (gr.I), correspondente à 2ª prova da tríplice coroa de potrancas, Honorável Bisca deslocou holofotes para o nome de um dos melhores animais já criados no Brasil. Seu pai, Siphon, obteve vitórias em provas de G1 disputadas nas pistas de grama e areia, tendo tornado-se, na década de 1990, o “embaixador”, dentre os PSI brasileiros, nas principais provas do dirt norte-americano. Filho do fundamental Itajara, deixou ganhadores de graduação máxima, nos Estados Unidos, antes de ser repatriado para o Brasil, na década passada.

Honorável Bisca premiou o prestígio dado, pelo Haras Basano, ao reprodutor nacional, não apenas em relação a Siphon (que se encontra alojado, justamente, no estabelecimento localizado em Cesário Lange/SP). O avô materno de Honorável Bisca, Grimaldi, foi um dos poucos protagonistas do difícil double nos Grandes Prêmios Brasil e São Paulo.

Não foi apenas Honorável Bisca, ou, então, Siphon e Grimaldi, que brilharam, porém, na aludida disputa. A segunda colocada, Queridinha, é mais um elemento a despontar na ainda breve produção de Dídimo. Um dos melhores produtos de Nedawi e descendente de rica linha materna (a partir da qual se originou, dentre outros, Storm Bird) trazida para o Brasil pelo Haras Pemale, nos anos 90, Didimo ingressou na reprodução em 2013, sendo apoiado, quase que exclusivamente, pelo Haras São Quirino (criador de Queridinha).

A terceira colocada, Magia Negra, descende de Molengão, que muito embora brasileiro cumpriu a maior parte de sua campanha nos Estados Unidos. Criado e pertencente em corrida ao Stud TNT, Molengão, no caso de Magia Negra, teve como apoiador o próprio TNT. O fato, aliás, ilustra posicionamento necessário para a própria lógica econômica das operações de shuttling.

A importação temporária de reprodutores de alto calibre internacional, a exemplo de Royal Academy, o pai de Molengão, somente se justifica quando criadores planejam extrair, além de bons corredores e matrizes, machos que possam ser continuadores do garanhão, no Brasil. Foi nessa toada, por exemplo, que os australianos revolucionaram sua criação e resultados, conforme os filhos deixados por Danehill, no país, passaram a ser utilizados como reprodutores.

Na Gávea, produtos de 3 anos, em busca da melhor forma para o Grande Criterium do GP Linneo de Paula Machado (gr.I), disputaram o Grande Prêmio Sandpit (gr.III). A vitória sorriu a um dos favoritos do páreo, Olympic Impact. Seu pai, Redattore, foi, recentemente, agraciado com o Troféu Mossoró de melhor reprodutor nacional da temporada 2017/2018.

Filho de Roi Normand, Redattore figura como o reprodutor nacional vivo recordista em ganhadores individuais de grupo.  Feliz exceção à regra da subutilização, comum à maioria dos demais garanhões ora citados, Redattore contou, desde seu ingresso na criação nacional, com o respaldo, qualitativo e quantitativo, de diferentes criadores brasileiros – como os Haras Ponta Porã, São José da Serra, TNT e Old Friends (este seu proprietário). No caso de Olympic Impact, o criador evidenciado corresponde ao Haras Regina, que, nas últimas gerações, figura como um dos principais apoiadores de Redattore.

A celebração do – bom – reprodutor nacional vai muito além de um exercício piegas de patriotismo (com o que, aliás, não deve, em qualquer hipótese, ser confundido). Considerando a – lamentável – redução progressiva no número de produtos PSI criados no Brasil, ano a ano, aliada ao baixo custo-benefício – em geral – das premiações, o espaço para erros e enganos é cada vez menor. Logo, os vários reprodutores nacionais disponíveis, gozando de expressivas campanhas e pedigrees, são opções mais do que indicadas para nossos criadores, sobretudo no atual momento da criação brasileira.

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