19 out 2026 | 19:37:39

Ratings, elevações e reduções na graduação das corridas de cavalo

Anualmente, corridas clássicas têm suas classificações - entre listed races, G3, G2 e G1 - avaliadas e, do mesmo modo, submetidas a alterações. Por trás desse processo, há a lógica dos ratings e seu impacto no controle do nível técnico do turfe, mundo afora.


Recentemente (clique AQUI), houve mais uma rodada de elevações e reduções nas graduações de corridas que compõem o calendário clássico do turfe sul-americano. A par das preocupações, descontentamentos ou, na mão inversa, da euforia (quando é o caso de um upgrade na categoria de uma prova) quando dessas modificações, permanece, muitas das vezes, a pergunta básica: o que faz com que um páreo "suba" ou "desça" na escala de graduações?

A avaliação das provas clássicas tem nos ratings uma de suas principais ferramentas. Em linhas gerais, o rating representa a medida da qualidade de um cavalo de corrida e é expresso em libras: quanto maior o número atribuído ao animal, maior seria o peso que ele carregaria em uma prova de handicap, modalidade na qual se busca, em tese, equilibrar as chances dos competidores.

Esse sistema de avaliação integra o esforço de padronização internacional das corridas black type. No âmbito da Organização Sul-Americana de Fomento ao Puro-Sangue Inglês (OSAF), cabe ao comitê regional de handicappers atribuir ratings às provas clássicas e acompanhar sua qualidade, submetendo ao organismo internacional competente propostas de alteração de graduação quando os números indicam desempenho compatível com uma categoria superior ou inferior.

Para essa análise, considera-se a média dos ratings dos quatro primeiros colocados das três últimas edições de cada prova. São utilizados os ratings finais anuais dos animais, estabelecidos ao término da temporada, e não necessariamente os números que apresentavam no dia da corrida. Como os ratings podem ser revistos à luz de atuações posteriores, a avaliação de uma prova também pode mudar conforme se consolida o desempenho de seus participantes.

A atribuição dos ratings individuais segue uma tabela internacional de handicapping, que relaciona a diferença de chegada à distância percorrida. A equivalência em libras varia conforme o percurso: a diferença de um corpo corresponde, por exemplo, a valores distintos em provas de 1.000, 1.600 ou 2.400 metros. A construção do rating de uma corrida exige, portanto, a análise do desempenho dos participantes e a verificação de quais deles confirmaram, em outras atuações, o nível técnico considerado. Os números atribuídos também passam por avaliação dos handicappers regionais.

Na OSAF, os cavalos que recebem rating igual ou superior a 105 são submetidos à apreciação do comitê regional. Já os animais com rating igual ou superior a 115 devem ser referendados no encontro anual do ranking mundial.

A admissão de novas provas

Conforme o item 3.2 do Regulamento do Comitê Fiscalizador de Provas Clássicas da OSAF, atualizado em maio de 2026, a admissão de uma prova ainda não integrante do calendário clássico deve ocorrer, em regra, na categoria Listed Race, conferindo-lhe status black type.

Para tanto, a corrida deve ter sido disputada, pelo menos nos dois últimos anos, em condições semelhantes, com premiação similar e na mesma data do calendário. O regulamento permite alterações de hipódromo e/ou superfície. A existência de um histórico mínimo, contudo, não substitui a avaliação técnica: a prova também precisa alcançar os parâmetros de rating exigidos para a categoria pretendida.

Para provas destinadas a produtos de três anos e mais idade, o nível mínimo indicado para a categoria Listed é 100; nas provas da mesma faixa etária restritas a fêmeas, o parâmetro é 95. A aferição considera a média dos ratings finais anuais dos quatro primeiros colocados e, para a análise da prova, a média das três últimas edições. Dessa forma, não basta que uma única edição atinja o índice: é necessário observar o histórico e cumprir os demais requisitos regulamentares.

O atendimento às condições permite que a admissão seja proposta, mas não assegura aprovação automática. Cada país pode promover, em regra, uma prova de non-grade para Listed por ano, salvo exceção autorizada pela Mesa Executiva da OSAF. Neste ano, o Brasil contou com autorização para admitir duas provas nessa categoria.

Promoções e rebaixamentos

O mesmo princípio de avaliação é aplicado às provas que já integram o calendário clássico. Quando a média dos ratings dos quatro primeiros colocados, considerada ao longo do período de avaliação - normalmente as três últimas edições -, revela qualidade compatível com uma graduação superior, a promoção pode ser proposta, desde que observados os parâmetros próprios da categoria.

Os níveis exigidos variam conforme a graduação e as condições da prova. Como referência, para uma prova de G1 aberta a produtos de três anos e mais idade, a média internacional exigida é de 115 libras; na região da OSAF, aplica-se uma tolerância de cinco libras, de modo que o parâmetro é 110. Para que a prova mantenha essa graduação, a média das três últimas edições deve alcançar o patamar regional previsto.

No sentido inverso, quando uma prova permanece por dois anos consecutivos abaixo do nível exigido para sua categoria, já considerada a tolerância aplicável à OSAF, o hipódromo recebe uma Carta de Advertência. Se a edição seguinte também não atingir o nível necessário, a corrida fica sujeita ao rebaixamento automático, nos termos do regulamento.

Assim, as alterações de graduação não decorrem apenas de uma avaliação isolada ou de uma impressão sobre a importância histórica de determinada corrida. O procedimento se apoia nos ratings dos participantes, na média dos quatro primeiros colocados e no desempenho observado ao longo das edições consideradas. As exceções previstas dependem da apreciação e da aprovação das instâncias competentes da OSAF.

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