12 jun 2026 | 17:10:44

A carruagem do turfe pede passagem: um GP Brasil pronto para entrar para a história

Festival, que será celebrado no ano do centenário do Hipódromo da Gávea, apresenta atrações imperdíveis.


Oderich e Zucca Baby poderão reeditar, no GP Brasil, a chegada eletrizante proporcionada, pela dupla, no Derby.

Imagem: Sylvio Rondinelli/JCB

Um século atrás, o turfe brasileiro daria as mãos a uma das suas bases fundamentais. O Hipódromo da Gávea, então ingressando no seleto rol de cartões postais do Rio de Janeiro, passou a ser, também, um dos mais privilegiados e importantes palcos das corridas de cavalo no país.

Anualmente, a Gávea tem, na realização do Grande Prêmio Brasil e suas provas anexas, o momento mais festivo e importante do calendário. Entre sábado (11) e domingo (12), turfistas de todo o Brasil se instalarão nas dependências do prado carioca para, mais uma vez, vivenciar toda a magia do magno festival - que, apesar de já centenário, é candidato a cativar, no coração do seu público, um lugar de eternidade.

Na raia, os grandes artistas dessa jornada mostram-se à altura do tão aguardado momento. Há expectativa das maiores em torno das provas-chave do meeting carioca.

Um western do cinema  em que não é preciso muito para os coadjuvantes virarem estrelas principais


O desenrolar do GP Cruzeiro do Sul (G1), o Derby da Gávea, foi marcado por uma batalha titânica que, resolvida em diferença mínima indicada pelo fotochart, deu conta de ratificar as qualidades de Oderich e Zucca Baby. Bastaram poucos minutos do desfecho daquele páreo e, logo ali, teve início o burburinho sobre um duelo que poderia se repetir, então, no GP Brasil.

Chegada a hora da prova máxima, de fato Oderich e Zucca Baby, uma vez inscritos, são alçados à condição de astros principais da disputa. Como num western do cinema antigo, há quem afirme tratar-se de um duelo com hora marcada. Nos bastidores da preparação de cada um deles, Luis Esteves e Venâncio Nahid podem, cada qual, buscar o isolamento na condição de treinador mais vitorioso da história da prova, na hipótese de um heptacampeonato.

Nas imediações dessa dupla, porém, há nada menos que 15 nomes cujo primeiro papel poderia ser considerado o de coadjuvante. Num piscar de olhos, esses competidores poderão assumir o protagonismo da disputa e, num filme em que não há bandidos ou mocinhos. Mc Arrocha, que voltou refeito na corrida preparatória, e Valparaíso, que tanto se aproximou da glória nesse mesmo páreo em 2025, surgem com força. Quero Te Mucho, Zandor e Que Emoção, responsáveis por definirem, em final escamado, o GP São Paulo (G1), buscarão levar o troféu para Cidade Jardim, num momento-chave de recuperação do turfe paulista.


Velocidade a toda prova: o "Suckow" mais aguardado dos últimos anos


A capacidade de aceleração máxima de um cavalo de corrida, revelada, sobretudo, nas provas de velocidade, é parte essencial do maravilhamento causado pelo PSI. No Grande Prêmio Major Suckow (G1) - Haras Nijú, anualmente, essa rara habilidade do animal aproxima-se do seu estado da arte: os melhores sprinters do país reúnem-se para, em pouco mais de 50 segundos, completarem a distância dos 1.000 metros.

Desta feita, tamanha é a qualidade do campo - sem que seja possível limitar-se a um ou dois nomes - que o "Suckow" de 2026 já ganhou a categoria de mais aguardado dos últimos anos.

Largando rente à cerca, Vivi Magique busca consagrar sua campanha de velocista excepcional, após um reaparecimento de luxo. Ao seu lado, largará Eletrizante Dollar, bicampeão da prova correspondente - o GP ABCPCC (G1) - disputada em Cidade Jardim e que ostenta forma invejável. Na baliza três, por fora da dupla, Pajama Party, com apenas 2 anos de idade, encarará o que há de melhor na categoria em solo nacional, na tentativa de dar manutenção à sua invencibilidade - e à sua condição de potranca de exceção.

Off The Clock, que "barbarizou" na corrida preparatória ao aproximar-se do recorde, só faz evoluir. Orange Blossom, Piu Carina e Legender detêm arremates poderosos e, quanto mais intenso for o ritmo, lá na frente, maior será a certeza pelas suas respectivas presenças, na hora da verdade.


No "Brasil das Éguas", um aguardado choque de gerações


Além de representar o páreo mais importante para éguas de 3 e mais anos no Rio de Janeiro durante todo o ano, o Grande Prêmio Roberto e Nelson Seabra (G1) — Haras Santa Maria de Araras possui, por óbvio, muitos outros chamarizes. Dentre os mais interessantes, está o fato de que o páreo costuma colocar em choque o que há de melhor entre as éguas de 4 e mais anos e as potrancas de 3, recém-saídas da tríplice coroa.

Em que pese a qualidade das mais velhas, ao que tudo indica, desta feita o favoritismo recairá sobre uma representante justamente do time das mais novas: Odalisca, que, no ano passado, sagrava-se a Melhor Potranca de 2 Anos de sua geração e, há pouco mais de um mês, brilhou na milha e meia do GP Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (G1).

Gevrey-Chambertain e Nova Déli, que não raramente alternam-se como ganhadoras das principais provas destinadas às fêmeas no Rio de Janeiro, estão prontas, porém, para acabar com a festa das potrancas. Se isso não acontecer, contudo, além de Odalisca há nomes como os de Olympic Puma, All Red Love e Okeydoke, prontos para deixar a taça do "Brasil das Éguas" com a geração 2022.


Em 2026, o equilíbrio atende pelo nome de GP Presidente da República


Numa ligeira pesquisa de campo junto aos turfistas de plantão, a tendência de se reputar o Grande Prêmio Presidente da República (G1) — Haras Legacy como o páreo mais equilibrado dentre todos os grandes prêmios do festival é uma verdadeira "pule de dez". O embate reservado aos milheiros no festival reúne uma série de competidores com reais aspirações à primeira colocação.

Vítima de uma reta bastante conturbada no páreo idêntico corrido em São Paulo, Rafa do Iguassu, ainda assim, chegou a tempo de completar a trifeta - enquanto seu companheiro de farda, Samurai do Iguassu, batia a grande favorita On The End. O trio voltará a se enfrentar, desta feita na Gávea, sob a responsabilidade de confirmar, no Rio de Janeiro, o carimbo de alta qualidade atribuído à milha "paulista".

No teste "carioca", More Olympic conquistou seu batismo clássico e Gracie, reaparecendo, atropelou feito um bólido. Ambos pedem passagem. Ganhadores de provas de G1, Bet You Can e Vitruvian encontram na distância da milha o percurso de suas maiores predileções.


A nova geração: vitrine de sonhos e expectativas

Desde que passou a ser realizado no mês de junho, o festival do GP Brasil teve adicionados, às suas outras tantas atrações, páreos de graduação responsáveis por definir, na véspera da virada de idade (os cavalos PSI nascidos no hemisfério sul "fazem aniversário", uniformemente, no dia 1º de julho), os líderes da nova geração, entre machos e fêmeas.

O Critérium do Grande Prêmio Jockey Club Brasileiro (G1) — Haras Santa Rita da Serra apresenta como luxuoso "prata da casa" Paid In Full, credenciado por expressiva vitória obtida no GP Conde de Herzberg (G2). Vencedor, em São Paulo, do GP Juliano Martins (G1), Twist do Iguassu brilhou num dia em que muito se esperava de Plano B. Este, novamente "no jogo", busca a reabilitação. Habilitados por vitórias esmagadoras obtidas no Paraná, Rabat Again e Round The Flag conferem ao páreo um tom ainda mais evidente de confronto em nível nacional.

Já as fêmeas de 2 anos darão corpo ao Grande Prêmio Francisco Villela de Paula Machado (G2) — TBS International. Tendo abandonado o perdedor diretamente em prova graduada, Party Anthem defende a liderança em meio à tropa local. Credenciadas por excelentes corridas no GP João Cecílio Ferraz (G1), Tina do Iguassu e New Seattle Charm não estão para brincadeira. Intense Afleet, sempre aguardada por conta dos notáveis matinais, quer igualar a qualidade de ganhadora graduada já ostentada pela "famosa" Iluminada, então ausente por conta de ligeiro contratempo.

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