28 dez 2021 | 22:36:59

De Life Is Good a Flightline: o business a caminho da perfeição

Astros do turfe norte-americano contam, em seus históricos, com robustos investimentos e incorporam a condição de business do turfe moderno, em seu mais elevado patamar.


Flightline: invicto em 3 corridas, foi adquirido por US$ 1 milhão, quando potro de sobreano

Imagem: Benoit Photo/Daily Racing Form

No festival da Breeders’ Cup, muito embora a Breeders’ Cup Dirt Mile (G1) não fosse, por si só, a principal disputa do meeting, a vitória de Life Is Good talvez tenha sido a mais impressionante, de todo o final de semana.

Do mesmo modo, ainda que protagonista de uma campanha bastante breve e na qual seus responsáveis abdicaram, até aqui, de compromissos tais quais a própria Breeders’ Cup, Flightline transformou o Malibu Stakes (G1) do último domingo, em Santa Anita, num dos momentos mais especiais do ano, para o turfista norte-americano.

Além da enorme capacidade locomotora (que lhes possibilitou roubar a cena, em 2021, mesmo sem se fiar pelos principais páreos da temporada), Life Is Good e Flightline têm outro ponto em comum. Eles representam o sucesso do turfe estadunidense praticado enquanto um negócio de robustos investimentos cuja crença na criação, ou na aquisição, do cavalo perfeito, movimenta milhões e milhões de dólares, todos os anos.

A mãe de Life Is Good, Beach Walk, foi adquirida por Gary & Mary West, ainda potranca de sobreano, em 2014, por US$ 435 mil. Sem ter vencido nas suas 5 corridas (somou pouco mais de US$ 30 mil em prêmios), foi coberta por Into Mischief, no ano de 2017. Garanhão líder daquele país, nos dias atuais, Into Mischief, à época, tinha sua cobertura comercializada por US$ 75 mil. 

Life Is Good, vendido por mais de meio milhão de dólares, descende de égua que, quando yearling, foi leiloada por US$ 435 mil

Imagem: Benoit Photo/Blood Horse

Nascido em 22 de abril de 2018, Life Is Good manteve-se sob propriedade de seus criadores até setembro do ano seguinte, quando foi arrematado, pelo China Horse Club (sócio, em Life Is Good, juntamente da WinStar cuja farda, inclusive, é defendida pelo corredor, atualmente), por US$ 525 mil. Além de aspectos físicos e do nome de Into Mischief, havia, na linha baixa do potro então levado a leilão em Keeneland, a ganhadora de listed e segunda em G1, Bonnie Blue Flag (sua 2ª mãe), e a produtora de G1 Tap Your Feet (3ª mãe).

No caso de Flightline, as cifras que demarcam seu histórico são ainda mais vultosas. Em novembro de 2016, a Summer Wind adquiriu a matriz Feathered (ganhadora de G3 e colocada em G1) por US$ 2,35 milhões. Tanto a 2ª quanto a 3ª mãe de Feathered foram ganhadoras de G1 (Finder’s Fee e Fantastic Find, respectivamente). Um papel e tanto, portanto, ao qual muito se somou quando houve a decisão de pagar US$ 300 mil pela cobertura de Tapit.

Tapit que, frise-se, reinava na condição de garanhão número 1 dos Estados Unidos, após enfileirar 3 estatísticas consecutivas.

Flightline veio ao mundo no dia 14 de março de 2018. Em agosto de 2019, foi leiloado enquanto yearling, por US$ 1 milhão. Adquiriu-lhe a West Point Thoroughbreds, que viria a permanecer enquanto coproprietária do animal, juntamente da Hronis Racing e de outros investidores.

Sem prejuízo das quantias que circularam por e entre as suas aquisições (bem como pelas compras e vendas de suas mães), Life Is Good e Flightline foram criados em haras de alto padrão e, mesmo após trocarem de donos e serem submetidos à doma, restaram encaminhados a cocheiras de treinadores renomados e cuja tomada dos serviços também demanda algum investimento.

Ao final de toda essa equação, é bem provável que todos saiam ganhando. Os criadores de Life Is Good e Flightline contam com as mães de ambos prenhes de Into Mischief (dono da cobertura mais valorizada do país e que serviu, em 2021, a US$ 225 mil), com a possibilidade de receberem alguns milhões de dólares nos leilões a serem realizados ao longo da temporada. Já os atuais proprietários de cada um dos dois tendem a angariar expressivas premiações, em 2022, e, um bocado adiante, possuirão em mãos animais para os quais se vislumbra alto potencial comercial, na reprodução.

Para a sorte e deleite dos aficionados, o turfe não é, necessariamente, um mundo hermético, no qual somente ganham os mais abonados, e prevalecem os maiores investimentos. O precocemente desaparecido Medina Spirit, adquirido por US$ 1 mil quando yearling, é um exemplo clássico do quão apaixonante o esporte pode ser, também pelo fato de prevalecer o velho brocardo: “cavalo não sabe o quanto custa”.

Ainda assim, histórias tais quais a de Life Is Good e Flightline incorporam a condição de negócio do turfe em seus patamares mais elevados, pautados pelo absoluto profissionalismo e pelo caminho do dinheiro.

Dinheiro que, nos casos em questão, passou muito longe de ser gasto a fundo perdido. Tão longe quanto Life Is Good e Flightline costumam deixar seus adversários.

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