10 mar 2026 | 17:53:25

Especial Copa Precocidade e Velocidade: a história da prova, o ciclo do craque

Desde a sua primeira edição, a Copa Precocidade e Velocidade ABCPCC revelou diversos corredores de exceção. Seu primeiro vencedor, London Moon, atualmente serve como garanhão, em Bagé - dando cabo ao ciclo dos campeões, que definem a genética da raça.


Registro da vitória de London Moon na versão inaugural da Copa Preocidade e Velocidade ABCPCC.

Imagem: Karol Loureiro

O ano era 2022 e, dentre os meetings e grandes prêmios então designados para o turfe brasileiro, àquele ano, surgia uma novidade - carregada do intuito de recuperar uma atiga e bem-sucedida tradição das corridas nacionais. Disputada em sistema de seletivas e final com sede itinerante, a Copa Precocidade e Velocidade ABCPCC agitou os aficionados de plantão, desde o primeiro minuto. Nos anos que se seguiram, a empolgação não arrefeceu e, quatro anos depois, a competição já encontra lugar cativo, tanto no calendário quanto no imaginário dos turfistas brasileiros.

Igualmente, desde os seus primeiros lances, a Copa vem servindo de celeiro a alguns dos corredores que viriam dar cara e cor às principais corridas do país - sem prejuízo de desafios levados a cabo nas raias do exterior. O seu primeiro vencedor, aliás, fez-se prenúncio à vocação da corrida para a revelação de talentos - bem como simboliza, atualmente, o arco completo da vida de um PSI campeão.

No intervalo de tempo compreendido entre a sua estreia, numa das seletivas abrigadas pelo Hipódromo da Gávea, e o atual momento, London Moon fez-se notar entre os melhores cavalos do país. Hoje, aparece como uma das principais promessas da nova "safra" de reproutores nacionais.

"Meu pai não acreditou quando contamos a ele que correríamos um filho do Agnes Gold na Copa. Apesar da responsabilidade, tínhamos uma confiança enorme nele. Seus trabalhos eram excelentes. No final, deu tudo certo", comenta Anderson Stabile, que compartilha da titularidade dos Haras Anderson e Sweet Carol com seu pai, Weber Stabile, e com a filha, Carolina Stabile, sendo estes, portanto, os criadores e proprietários de London Moon.

Em Bagé, London Moon atualmente serve como reprodutor.

Imagem: Haras Anderson

Vitorioso na final disputada em março daquele ano, em Cidade Jardim, London Moon não apenas confirmou todas as expectativas nele depositadas, a partir da fácil vitória conquistada na eliminatória "carioca". O corredor presenteou suas conexões com um troféu que, no passsado, fazia falta à sua prateleira - e de uma maneira um tanto quanto dolorida.

"Nos anos 1990 e 2000 partcipamos, por algumas vezes, da antiga Copa ANPC de Potros, que seria o páreo correspondente à Copa Precocidade de hoje em dia. No ano de 2001, lembro-me que tínhamos o Lost Love inscrito na seletiva do Rio de Janeiro. Ele correria com um trabalho de menos de 59 segundos para os 1.000 metros. Imagino que teria chance de ferro de vencer. Infelizmente, por conta de uma febre, ele acabou fazendo forfait no serviço de veterinária, antes de encilhar", revela Anderson, fazendo menção a outro ilustre corredor do haras, que, atualmente, empresta seu nome ao centro de treinamentos de propriedade da família, em Nova Friburgo/RJ.

A menção do criador à Copa ANPC de Potros não é à toa: criada em 1994 (deu-se ao luxo de, logo em sua versão inaugural, revelar o excepcional Mensageiro Alado), a prova contava com o prestígio de profissionais e coudelarias de todo o país, que, ano a ano, disputavam uma frondosa premiação - e o troféu de elemento mais veloz, da então estreante geração. Não tardou a se tornar um prêmio bastante cobiçado, no calendário brasileiro.

Potranca da primeira geração de London Moon, nascida em agosto de 2025.

Imagem: Haras Anderson

Enquanto a Copa Precocidade e Velocidade ABCPCC passou a ter suas edições seguintes disputadas, London Moon, em paralelo, desenvolveu campanha à altura dos animais de exceção. Vencedor de graduação máxima dos 1.600 ao 2.000 metros, o neto do norte-americano Harlan's Holiday competiu até os 4 anos de idade e venceu os Grandes Prêmios Presidente da República (G1), Estado do Rio de Janeiro (G1), Linneo de Paula Machado (G1), Jockey Club Brasileiro (G1), Conde de Herzberg (G2), Gervásio Seabra (G2), Julio Capua (G2), Presidente Vargas (G3) e José Buarque de Macedo (G3) - além da seletiva e da final da "Copa".

Após encerrar campanha com 14 corrida, 11 primeiras colocações e 3 Troféus Mossoró -, London Moon foi sindicalizado e passou a ocupar a cocheira de garanhões dos Haras Anderson e Sweet Carol, em Bagé/RS. No segundo semestre de 2025, nasceu a primeira geração do garanhão, com 30 produtos registrados, até o momento, no Stud Book Brasileiro.

"Acredito que nesta segunda geração ele cobrirá entre 50 e 60 éguas. Vê-lo chegar nesse estágio, depois de nos dar tanta alegria na pista, é uma satisfação indescritível", arremata seu criador.

Nesse passo, London Moon completa o ciclo do PSI que, alçado à posição de animal diferenciado, em pista, passa à condição de instrumento de seleção genética. Seleção esta que anuncia, desde já: os resultados da Copa Precocidade e Velocidade tendem a encontrar os definidores da raça, no Brasil, nos próximos anos - e vice-versa.

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