01 maio 2018 | 13:20:12

Faleceu José Roberto Taranto: um legado deixado ao turfe e à medicina veterinária

Um dos mais importantes e respeitados profissionais relacionados à história do turfe brasileiro, Taranto deixa importantes contribuições para as atuais e futuras gerações da medicina veterinária.

José Roberto Taranto: legado inestimável para o turfe brasileiro.

Imagem: Divulgação JCB

Ao final da terça-feira (30), em Miami, faleceu, em decorrência de um AVC (acidente vascular cerebral), o médico veterinário José Roberto Taranto. Ícone de sua profissão, sobremaneira na atuação junto a cavalos de corrida, esteve relacionado a alguns dos mais vitoriosos projetos do turfe brasileiro e serviu de espelho às carreiras de outros tantos renomados veterinários e profissionais, militantes no turfe nacional e internacional.

Formado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, teve no belga Octávio Dupont – precursor da medicina veterinária no turfe brasileiro – seu principal professor e mentor. O convívio com Dupont, notabilizado, dentre outros feitos, pelas contribuições à criação de Linneo de Paula Machado e ao Jockey Club Brasileiro, guiou Taranto ao universo dos cavalos de corrida, com foco no segmento de treinamento.

Ao longo de sua extensa carreira, atendeu a inúmeros animais de escol, vencedores das principais provas do turfe nacional. Prestou serviços a uma infinidade de coudelarias, e em maior extensão ao Haras Sideral, à Fazenda Mondesir, ao Stud Capitão, ao Stud TNT e ao Haras Santa Ana do Rio Grande. Quanto a este último, foi peça fundamental para os excelentes resultados obtidos pela farda, entre as décadas de 1980 e 1990.

“O Taranto era uma pessoa apaixonada pela sua profissão. Para ele não havia finais de semana ou feriados. Estava sempre atento às suas tarefas, que executava com dedicação invejável. Prestou serviços a uma enorme quantidade de proprietários, bem como orientou estagiários que viriam a se revelar importantes profissionais, no turfe brasileiro. Na condição de mentor de jovens profissionais, aliás, transmitia seus conhecimentos sem qualquer reserva ou restrição”, relata José Carlos Fragoso Pires Júnior, um dos titulares do Haras Santa Ana do Rio Grande.

“Homem de personalidade forte, cativou a admiração, respeito e amizade de muita gente. Na iminência de uma corrida, esfregava as mãos, seguidamente, dando sinal de sua agitação e expectativa. Há poucas semanas, quando de sua última visita ao Brasil e quando nos vimos pela última vez, fez, novamente, esse gesto. Algo do qual não irei me esquecer”, completa, emocionado, José Carlos.

Dentre os profissionais formados à base, também, dos ensinamentos de Taranto, surgem nomes como os de Flávio Geo, Flávio Carneiro, Leopoldo José Cury, Bianca Cascardo, Walter Flores e José Laudo de Camargo. O último, zootecnista radicado nos Estados Unidos, destaca a sede, por ensinamentos e por ensinar, de Taranto.

“Creio que não houve, no turfe brasileiro, um veterinário que tenha admitido tantos estagiários, e ensinado de maneira tão franca e sincera, quanto Taranto. Também não me recordo de ter havido, em matéria de América do Sul, alguém com tantas participações nos congressos da American Association of Equine Practitioners (AAEP), principal evento de medicina veterinária equina, realizado, anualmente, no Kentucky”, afirma Camargo, que possuiu estreito contato profissional junto a Taranto por mais de duas décadas.

Torcedor do Fluminense, era viúvo de Tereza, falecida há, aproximadamente, 2 anos, e deixa o filho José Roberto Taranto Filho, a filha Roberta Taranto e netos.

Aos familiares e amigos, a Diretoria da ABCPCC/Stud Book Brasileiro presta votos enlutados e à memória de José Roberto Taranto, o agradecimento pelos inestimáveis serviços e contribuições prestadas ao turfe brasileiro.

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