10 maio 2024 | 17:33:11

A relação entre "engolidores de ar" e as cólicas

"Crença" do meio equino, que, mais recentemente, foi ratificada por diferentes pesquisas, a maior frequência da cólica em relação a animais que "engolem ar" é pauta que demanda atenção, de criadores e profissionais.


Animais "engolidores de ar" possuem maior propensão a terem cólicas. Mito ou fato?

A revista The Horse publicou, em seu website, matéria assinada pela médica veterinária, Stacey Oke, na qual uma grande "crença" do mundo equino é abordada em detalhes e confirma a conclusão, do conhecimento popular, a partir de recentes pesquisas realizadas a respeito do assunto.

Para conferir a matéria original, na íntegra, clique AQUI.

Pesquisas indicam que entre 2% a 10% dos equinos são aerofágicos, ou, comumente apelidados de "engolidores de ar" - isto é, apresentam um padrão de comportamento relativamente invariável e repetitivo, sem aparente objetivo ou função, que envolve segurar um objeto com os dentes incisivos, flexionar os músculos na parte inferior do pescoço e aspirar ar para o esôfago superior, geralmente enquanto emitem um grunhido característico. Além dos danos evidentes relacionados a esse hábito (como, por exemplo, a danificação de cercas, janelas etc.), a bióloga comportamental Briefer Freymond - do Agroscope Swiss National Stud Farm, em Avenches, na Suíça - dedica-se à análise de outros desdobramentos indesejáveis, a título de saúde animal.

De acordo com Freymond, equinos "engolem ar" como uma forma de "lidarem com o estresse, como, por exemplo, quando se encontram em confinamento físico, em isolamento social ou quando há problemas com a dieta e manejo de sua alimentação, sendo essas situações que levam o animal a morder, cercas ou janelas de cocheiras, e, a partir disso, obter uma espécie de conforto, que reduziria seu nível de estresse."

A explicação, contudo, encontra alguma resistência e gera debates, no meio acadêmico. Há pesquisas que tanto relacionam a patologia a disfunções cerebrais, quanto a carências biológicas do animal (que desenvolveria o hábito a partir da redução nos níveis de antioxidantes em seu organismo), dentre outras possíveis causas.

Além de mais vulneráveis a anormalidades na articulação temporomandibular (e de estruturas associadas que ancoram a caixa vocal ao crânio), úlceras gástricas, perda de peso e uma má condição física, em geral, devido ao tempo gasto mordendo a baia em vez de consumir alimentos, os animais aerofágicos encontram-se mais propensos à ação de um dos maiores "fantasmas" do mundo equino: as cólicas. 

Após anos de especulação sobre as cólicas ocorrerem com mais frequência, em aerofágicos, pesquisas acadêmicas acabaram por fornecer dados consistentes, que confirmam essa associação. Em 2011, por exemplo, a médica veterinária Dra. Claire Scantlebury, e seus colegas da Universidade de Liverpool relataram que esse grupo de equinos indicava uma probabilidade 12 vezes maior de sofrer cólicas recorrentes do que os demais.

Pesquisas adicionais indicam que dois tipos de cólica tendem a ocorrer em cavalos aerofágicos: a cólica "simples" e o aprisionamento do forame epiploico. O último tipo resulta do aprisionamento de uma seção do intestino (geralmente o intestino delgado), no forame epiploico - uma pequena abertura no abdômen dorsal direito limitada pelo fígado, pela veia porta pela e dobra gastro pancreática. O Dr; Thomas van Bergen e seus colegas pesquisadores da Universidade de Ghent, na Bélgica, relataram, no início de 2019, que 60% das 142 cirurgias relacionadas ao aprisionamento do forame epiploico foram realizadas em cavalos engolidores de ar.

Ainda assim, há posições mais conservadoras a respeito das dúvidas inerentes ao tema. Louise Southwood, professora de medicina de emergência e cuidados críticos na Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, apesar de entender o hábito de engolir ar como sendo um risco para a ocorrência de cólicas (tal qual por ela defendido, no Congresso Mundial da Associação Veterinária Equina de 2015), enxerga a questão, ainda, como carente de maior aprofundamento e compreensão.

"Dado que não compreendemos, completamente, por que alguns cavalos sofrem comportamentos estereotípicos, nosso conhecimento sobre a relação entre cólica e engolir ar permanece obscuro", explica.

"Minha intuição é que há uma ligação entre engolir ar e a cólica, e que, também, precisamos investigar mais. Engolir ar pode, simplesmente, corresponder a uma maneira de os cavalos lidarem com dor abdominal crônica de baixo grau. Se o abdômen deles dói, então os cavalos podem engolir ar", complementa Southwood.

Há diferentes meios de se tentar eliminar o hábito de engolimento de ar. A eletrificação de superfícies, aplicação de produtos de sabor desagradável às superfícies, utilização de focinheiras e utilização coleiras que reduzam a movimentação do pescoço (ou que impeçam o animal de morder estruturas da cocheira) são alguns dos métodos mais conhecidos e utilizados. Qual dessas alternativas, contudo, revela-se a mais eficiente? A pesquisadora Dra. Julia Albright, da Universidade do Tennessee, comparou duas coleiras anti-mordida, uma focinheira e anéis gengivais em um estudo de 2016 e concluiu que todos os métodos, exceto os anéis gengivais, reduziram efetivamente o hábito de engolir ar. Albright também relatou que os cavalos não demonstraram sofrimento, conforme determinado pela medição de seus níveis séricos de cortisol, ao usar qualquer um dos dispositivos físicos.

 

Mais notícias

Kingvic e Guanabara dominaram a Copa Leilões Jockey Club Brasileiro

Provas destinadas à geração 2015 foram disputadas neste domingo (17), na Gávea.

Mo Donegal confirma no Belmont Stakes; Flightline encanta na Met Mile.

Filho de Uncle Mo confirmou favoritismo no desfecho da tríplice coroa norte-americana. Momentos antes, um show daquele que é considerado o melhor cavalo dos EUA, na atualidade.

Prova Especial Gastadora :In-Unick, de ponta a ponta, foi superior!

Brilhou a farda de Bet Gold Stud em um dos melhores momentos da sabatina paulista.