21 jan 2026 | 19:07:47

Do futuro incerto à Pegasus World Cup: dias agitados, em Gulfstream Park

Na véspera de sua corrida mais importante para produtos de 3 anos e mais idade, o principal hipódromo da Flórida vê avançar, no campo legislativo, proposta que pode desvincular a exploração dos cassinos da realização de corridas, nos hipódromos do estado.


Pégaso, o mitológico cavalo lado, sufoca um dragão, no monumento construído em Gulfstream Park.

Imagem: Past The Wire

A estátua bronze, com 33 metros de altura, que ornamenta o hipódromo de Gulfstream Park retrata o mitológico Pégaso superando um - ali batido - dragão. Pouco após a sua construção, iniciada em 2013, o lendário cavalo alado, montado por Belerofonte para derrotar Quimera, voltou a ser reverenciado, no principal hipódromo da Flórida, no batismo daquela que viria a ser principal prova local, destinada a produtos de 3 e mais anos: a Pegasus World Cup, cuja versão inaugural restou disputada no ano de 2017.

Passados pouco mais de dez anos da inauguração do monumento, o dragão, outrora sufocado pelas patas de Pégaso, apresenta-se ameaçador como nunca antes; passados nove anos da primeira edição da milionária corrida, o futuro de sua disputa - bem como de todos os demais páreos, que, atualmente, são promovidos em Gulfstream Park - também resta posto em xeque.

No último dia 14 de janeiro, o Projeto de Lei do Estado da Flórida nº 881 voltou a avançar, em sua tramitação. Na ocasião, o texto restou aprovado, na Subcomissão de Indústrias e Atividades Profissionais da Câmara dos Representantes da Flórida, por 10 votos de representantes do Partido Republicano contra 5 votos de representantes do Partido Democrata.

Se eventualmente prosperando em todas as instâncias e casas legislativas, de modo a vir a ser convertido em lei, o referido projeto desvincularia a exploração de cassinos e slot-machines em Gulfstream Park à obrigatoriedade de realização de corridas, naquele hipódromo. Em suma, o maior incentivo existente para que os proprietários de Gulfstream Park deem manutenção à atividade turfística, deixaria de existir.

Em 2025, de acordo com publicação da Universidade de Nevada, as "máquinas", em Gulfstream Park, no período compreendido entre janeiro e novembro, renderam uma receita líquida superior a US$ 56 milhões - encontrando-se pendente de compilação, ainda, o resultado do mês de dezembro. Num cenário de não vinculação da licença para exploração do cassino em relação à realização de atividade turfística, os donos do negócio poderiam, de um lado, seguir sorvendo os lucros advindos das slot-machines, e, de outro, explorar, como bem entendessem, o imóvel com valor estimado em mais de US$ 1 bilhão. Seria possível, portanto, por abaixo as instalações do hipódromo e tudo que dissesse respeito à realização das corridas.

Num traje típico de lobo em pele de cordeiro, o autor do projeto de lei, Adam Anderson, defende, em suas manifestações públicas sobre o assunto, que há, no texto legal, trecho que condiciona a desvinculação, entre exploração de slot-machines e realização de corridas, a um aviso prévio mínimo de 3 anos, que somente poderia ser acionado a partir de julho de 2027. Numa tentativa, pois, de tornar palatável a sua proposta legislativa - que, no caso, funciona como um autêntico cavalo de Tróia -, Anderson nada mais faz do que acionar um cronômetro, em contagem regressiva, para o possível fim das corridas, no maior hipódromo da Flórida, cujo esgotamento coincidiria com o ano de 2030.

Não bastasse o evidente risco gerado a partir dessa proposta legislativa, quando se vislumbra o futuro de Gulfstream Park, a história local revela um precedente, em seu passado, que indica o quão nefasto o projeto de lei tende a ser, se bem-sucedido, para o turfe da Flórida. No ano de 2001, a partir Lei do Estado da Flórida nº 7.080, a exploração de cassinos e máquinas de jogos foi desvinculada da obrigatoriedade de realização de corridas com cavalos da raça Quarto de Milha e de trote. Como resultado, a Flórida viu a extinção, num curtíssimo intervalo de tempo, de ambas as modalidades, no estado. Não há nada, em absoluto, que leve a crer que as corridas com PSI, então a salvo na legislação de 2021, venham a ter futuro distinto.

Ainda que sejam diversos os representantes da indústria turfística presentes aos debates e a um movimento de oposição à evolução do projeto de lei em questão, desde o início de sua tramitação, fato é que a principal esperança da atividade recai sobre os parlamentares do Senado da Flórida. Foi nessa casa legislativa que, em 2025, um projeto de lei bastante semelhante, acabou reprovado e arquivado, ainda que tenha recebido aprovação prévia, na Câmara dos Representantes daquele estado.

Com US$ 3 milhões de dotação (quatro vezes inferior à premiação distribuída quando de sua criação e mais de cinco vezes menor do que o prêmio recorde já pago pela prova), a Pegasus World Cup (G1) voltará a ser disputada, neste sábado (24), ali mesmo, em Gulfstream Park. A prova, que mexeu com turfistas e corporações do mundo todo, ao ser instituída mediante licitação das vagas no partidor (cabendo, então, ao adquirente, utilizar ou negociar tal ativo, sem prejuízo de participar das receitas do festival), já não mais funciona dessa maneira - e sim no formato de convites formalizados aos proprietários dos animais participantes.

Dentre outras consequências, ao que tudo indica, tais mudanças acarretaram a perda de apelo junto aos principais nomes do dirt norte-americano, bem como dos seus proprietários, que, atualmente, fazem da Breeders' Cup a valsa de despedida de seus principais atletas, antes do ingresso à reprodução - enquanto Gun Runner, por exemplo, somente foi incorporado à ala de garanhões de Three Chimneys Farm, em 2018, após a disputa da "Pegasus" - que, àquele ano, ofereceu uma bolsa de US$ 16 milhões.

Invicto em 5 corridas, Disco Time encara sua primeira prova de G1, justamente, por ocasião da Pegasus - sendo muito bem cotado para render à Juddmonte o "bi", uma vez que, a primeira versão do páreo fora vencida pelo também "seu" Arrogate. Ganhador do Florida Derby (G1), no qual bancou o algoz de Sovereignity (na sequência venceria o Kentucky Derby), Tappan Street precisou abdicar, por problemas locomotores, dos outros principais páreos de sua geração, em 2025, tendo, contudo, reaparecido no último mês de dezembro, com firme vitória, num allowance, em Gulfstream Park. Pode, no ato, somar sua segunda conquista de graduação máxima. Atual vencedor do páreo, o tordilho White Abarrio não corre desde agosto de 2025, mas, dado o seu retrospecto, apresenta-se como o principal obstáculo no caminho da mencionada dupla treinada por Brad Cox.


por Victor Corrêa

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