16 abr 2026 | 11:59:50

Nota de falecimento: Antônio Joaquim Peixoto de Castro Palhares


Totão (dir.) recebe Cisplatine, uma das craques inesquecíveis da Fazenda Mondesir.

Imagem: Divulgação JCB

O turfe brasileiro perdeu uma de suas mais queridas figuras. Faleceu Antônio Joaquim Peixoto de Castro Palhares, o Totão da Fazenda Mondesir.

Incumbido de levar adiante o sucesso esculpido por Antônio Joaquim Peixoto de Castro Jr. e Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (homenageados, com provas batizadas sob seus nomes, no último final de semana, na Gávea) no então Haras Mondesir, Totão, ao lado do irmão Paulo César Peixoto de Castro Palhares, revelou-se mais do que bem-sucedido, em sua missão.

Desde a transferência das operações da, então renomeada, Fazenda Mondesir, de Lorena para Bagé, até a criação do Vale das Estrelas (um dos mais portentosos centros de treinamento da serra fluminense), na década de 1970, Totão posicionou a coudelaria dentre as maiores do esporte, no Brasil.

Nas pistas, testemunhou conquistas inesquecíveis, de tantas e tantas joias de sua criação. Entre os anos 70 e 80, Janus, Sunset e Anilité (esta na condição de sua crioula) renderam ao Mondesir o "tri" do Grande Prêmio Brasil. Em 1985 e 1986, Bretagne e Cisplatine alcançaram feito, no Grande Prêmio São Paulo, até então jamais repetido - e, verdade seja dita, de improvável repetição futura: duas fêmas, de criação e propriedade de uma mesma coudelaria, venceram, em anos consecutivos, a prova máxima do turfe paulista.

No início dos anos 90, Indian Chris, também de sua criação e propriedade, tornou-se a primeira tríplice coroada do turfe fluminense. Fosse pouco e a corredora, ao conquistar, em 1992, o Countess Fager Handicap (G3), entrou para a história como o primeiro PSI brasileiro a vencer uma prova graduada, nos Estados Unidos.

Com o passar do tempo, a marca Mondesir internacionalizou-se. Ladeado, também, pelo sobrinho Paulo César, Totão viu os animais criados pelo haras alcançarem as raias do mundo todo. Nos Estados Unidos, Einstein ingressou no seleto rol de ganhadores do Santa Anita Handicap (G1). Na África do Sul, Eyeofthetiger revelou-se vencedor de graduação máxima e, posteriormente, restou incorporado à reprodução. No Japão, a múltipla ganhadora de G2 e recordista, Danon Fantasy, enquanto neta de Doubt Fire (da geração 2021 da Fazenda Mondesir) levou todo o classicismo do Mondesir, literalmente, para o outro lado do mundo.

Além dos animais criados pelo Mondesir de Totão, as contribuições do haras para a genética do PSI brasileiro aproveitam uma infinidade de outros corredores e criadores. Ghadeer, fala por si só. O francês, que marcou época na criação nacional e sul-americana, é exemplo categórico do melhoramento do rebanho brasileiro a partir de investimentos realizados, em grande medida, pelo staff Mondesir.

Inobstante, Totão ainda se fez amigo de diversas pessoas ligadas ao turfe. Despertou admiração e empatia que transbordaram os limites do suficiente - e, justamente por isso, tornam seu passamento algo tão sentido.

O velório está marcado para esta sexta-feira (17), às 10h da manhão, no Salão das Rosas, na Tribuna Social do Jockey Club Brasileiro.

A ABCPCC presta condolências a amigos e familiares.

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