23 out 2019 | 17:27:37

Projeto brasileiro de controle de métodos artificiais de concepção é apresentado em Londres

Apresentação foi realizada na conferência anual do International Stud Book Committee.

Registro da apresentação de Mayra Frederico na conferência anual do ISBC.

Imagem: Arquivo pessoal

Realizada nos dias 1 e 2 de outubro, em Londres, a conferência anual do International Stud Book Committee (ISBC) tratou de algumas das principais pautas do International Stud Book/Weatherbys. Indo de encontro ao tema da repressão – institucionalizada a nível mundial, na criação do cavalo PSI – aos métodos artificiais de concepção, o projeto refletido na Instrução Normativa nº 01 do Stud Book Brasileiro foi apresentado, na segunda data do evento, pela superintendente da ABCPCC, Mayra Frederico.

Abordando, em seu início, a denúncia anônima comunicada ao Weatherbys, acerca de suposta realização de inseminação artificial no Brasil, em outubro de 2018, a expositora destacou o alinhamento do Stud Book Brasileiro para a adoção de meios repressivos à prática. A ideia de requisitar imagens de coberturas de animais PSI restou colocada em prática no primeiro semestre de 2019. Na iminência de sua negociação, o reprodutor New Year’s Day realizou algumas coberturas, no Brasil, ainda na temporada “europeia” de monta. Por ocasião das coberturas, promoveu-se o projeto piloto de transmissão de imagens das montas, via WhatsApp, para o Stud Book Brasileiro.

Ato contínuo, a apresentação abordou a publicação da Instrução Normativa SBB nº 01/2019, de julho de 2019, que tornou obrigatória a transmissão de imagens, de coberturas e documentos de matrizes, via WhatsApp, para o Stud Book Brasileiro.

Ainda no dia 2, outros painéis trataram de diferentes temas, não menos relevantes: doping genético, manipulação de genoma, inbreeding, novas tecnologias aplicadas na criação do cavalo de corrida e variabilidade genética do PSI.

Em relação ao doping genético, identificou-se a possibilidade de sua realização durante o reforço de sêmen fresco. Justamente por isso, estuda-se a possibilidade de se excluir a parte final do item 2.1. do artigo 12 do acordo internacional da Federação Internacional de Autoridades Hípicas (IFHA) – que permite a realização de tal reforço. Além do mais, não há métodos eficazes para identificação da prática – ou seja, não há como se flagrar um animal geneticamente “dopado”. No tocante à manipulação de genoma (que se diferencia, a grosso modo, do doping genético, por consistir na substituição de um determinado trecho da molécula de DNA, e não pela inserção genes específicos num embrião), em que pese ser possível sua realização somente no período embrionário (o doping genético pode ser realizado, inclusive, em animais nascidos), também há preocupação da comunidade internacional em relação a notícias da ocorrência.

No mesmo tópico, o Weatherbys formalizou sua preocupação quanto à clonagem de equinos realizada na Argentina. O país dispõe de laboratório desenvolvido especialmente para a clonagem equina, com a utilização de clones em competições, sobretudo, de polo. O fato, dado o risco de utilização junto a cavalos PSI, passa a constar, portanto, no radar do Weatherbys.

Na véspera (dia 1), houve exposições de autoridades vinculadas ao stud book de diferentes nacionalidades, a respeito de compromissos, adequações e recentes ocorrências envolvendo países sob a guarida do Weatherbys. Por exemplo, a recente exportação de, aproximadamente, 600 animais PSI neozelandeses, desprovidos de documentos, para a China. Nem a China, tampouco Hong Kong, possuem stud book, o que é motivo de preocupação do Weatherbys – tanto para se coibir ocorrências tais quais a descrita, quanto para organizar os registros daquele que poderá se tornar, no futuro, o país líder em número de PSI criados, ao redor do mundo. Ainda no campo de exportações clandestinas, foi relatado o envio, para o exterior, de um lote de potros do Panamá, desacompanhados de documentação. Os países vinculados ao Weatherbys comprometeram-se a relatar a identificação de quaisquer desses potros, em seus respectivos territórios.

Em matéria de controle de população equina, foi exibido o modelo adotado na África do Sul. O país registra seus animais PSI mediante aplicativo desenvolvido após cerca de US$ 6 milhões de investimento.

Métodos de controle via termo chip foram desaconselhados pelo Weatherbys, considerando que a temperatura corporal deixa de ser sinal vital “confiável” com o passar da vida de um equino – provocando a falibilidade do chip. Já os testes SNP (Polimorfismo de nucleotídeo único), mais comumente realizados com populações bovinas, em que pese a eficácia, revelam-se opção de alto custo.

Na esteira dessas informações, o Weatherbys divulgou o projeto do E-Passport, um cartão magnético que, vinculado a uma plataforma 100% digital, será o documento de identificação de todo PSI registrado ao redor do mundo. Além de substituir certificados e carteiras de identidade dos mais diversos tipos e tamanhos, o E-Passport armazenará informações referentes às marcas de identificação, deslocamentos, histórico de vacinas e campanha desenvolvida nos hipódromos. Mais detalhes sobre o E-Passport podem ser conferidos no vídeo institucional da plataforma (https://vimeo.com/316547492/4278562a2b).

Além do requerimento da ilha caribenha de Santa Lucia para se tornar uma autoridade hípica reconhecida pelo Weatherbys (pretendem realizar sua primeira reunião ainda em dezembro deste ano), outro aspecto socio-geográfico diz respeito ao Irã. Por força de tensões militares, o país sofreu com “embargo” das universidades norte-americanas, que foram pressionadas pelo seu Governo, sob pena de perda de verbas, para que parassem de realizar testes das corridas iranianas, bem como foram proibidas de liberar o material já recebido para que outros países e instituições promovessem os testes. Assim sendo, novas amostras serão remetidas pelas autoridades hípicas irã ao Weatherbys.

Por fim, o Weatherbys anunciou que solicitará às agências de cada país o envio da notícia de morte de animais PSI, para que haja conhecimento recíproco, entre as diferentes unidades do stud book, quanto a animais dados como mortos.

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